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Publicação do ensaio fotográfico «Por Cuidar» sobre cuidadoras informais

A notícia apresenta o ensaio fotográfico «Por Cuidar», de Cátia Valente, sobre mulheres que prestam cuidados informais dentro de casa em Portugal. O projecto acompanha quatro cuidadoras informais e mostra a sobrecarga física e emocional associada a esse trabalho diário e muitas vezes invisível. O texto enquadra também este tema no Estatuto do Cuidador Informal, aprovado em 2019, sublinhando a distância entre a lei e a realidade vivida nas famílias. O ensaio foi desenvolvido ao longo de cinco meses no âmbito da Masterclass NARRATIVA.

By RUA AI Rodrigo

Dedicadas, desgastadas e sozinhas: um ensaio visual sobre mulheres que cuidam dentro de casa Skip to main content Início Créditos LinkedIn Twitter Facebook Share via Whatsapp web Share via WhatsApp web Dedicadas, desgastadas e sozinhas Um ensaio visual sobre mulheres que cuidam dentro de casa Em Portugal, milhares de pessoas vivem sozinhas num trabalho diário, discreto e muitas vezes invisível. Cátia Valente é médica de medicina geral e familiar, mas também é a autora do ensaio fotográfico “Por Cuidar”, que procura inverter as atenções e redirecionar o foco para quem cuida. O que vai em seguida vai ver é parte desse ensaio, através das histórias de quatro cuidadoras informais: Cidália, Maria de Lourdes, Celina e Etelvina JUNHO 2026 P ortugal é um país que cuida dentro de casa. Estima-se que milhares de cidadãos dediquem os seus dias e noites a prestar cuidados a familiares ou pessoas próximas, em situação de dependência (18 mil, segundo o Instituto da Segurança Social, cerca de 1,4 milhões, segundo a Associação Nacional de Cuidadores Informais). Falamos de cuidadores informais: pessoas que, muitas vezes sem formação específica ou remuneração, assumem tarefas essenciais na vida de muitos. A realidade destes cuidadores é feita de uma adaptação silenciosa. O espaço doméstico transforma-se: as caixas de medicação ganham instruções escritas à mão para que a memória não falhe, os contatos de emergência tornam-se no papel mais importante da casa e os objetos de cuidado ocupam todas as divisões. Há quem, como Cidália [em cima] , equilibre a vida profissional com a responsabilidade de cuidar da mãe. Outros, como Maria de Lourdes [em baixo], carregam uma vida inteira de dedicação, cuidando sucessivamente de pais, sogros, tios e, atualmente, do marido, gerindo diariamente a limitação progressiva de uma doença neurodegenerativa. O papel destes cuidadores foi reconhecido legalmente com a criação do Estatuto do Cuidador Informal, aprovado em 2019, que faz a distinção entre cuidador informal principal — o que presta cuidados de forma permanente e, geralmente, vive com a pessoa cuidada — e cuidador informal não principal — o que acompanha e apoia de forma regular, mas não contínua. Este estatuto prevê direitos como períodos de descanso, formação e, em casos específicos, subsídios de apoio. No entanto, a distância entre a legislação e o dia-a-dia permanece muito grande. De acordo com estudos demográficos e dados de associações e instituições, o número de cuidadores oficialmente reconhecidos é muito distante da realidade vivida nas casas portuguesas. O desfasamento torna-se ainda mais evidente quando olhamos para a realidade concreta de muitas destas famílias. Em alguns casos, o cuidado é assegurado por quem também enfrenta a sua própria fragilidade. Há cuidadores que, mesmo lidando com a doença em primeira pessoa, continuam a assumir a responsabilidade de cuidar do outro , prolongando esse compromisso para além dos seus próprios limites físicos e emocionais. Tal sobrecarga é espelhada numa das famílias que acompanhei. Enquanto cuidadora do marido, fortemente limitado nas atividades de vida diária por múltiplas doenças, Celina, 15 anos mais nova, enfrenta os seus problemas de saúde. Apesar do sofrimento individual, continua a assumir, sozinha, o papel de cuidadora a tempo inteiro, garantindo uma presença constante ao longo de 24 horas. Histórias como esta, revelam a complexidade do cuidado informal, onde a linha entre quem cuida e quem precisa de cuidado se torna, por vezes, ténue. Numa dinâmica distinta, Etelvina [fotos em baixo] cuida da mãe acamada, que já não consegue comunicar verbalmente. A relação constrói-se em gestos silenciosos, em rotinas marcadas pela repetição e por uma atenção contínua, onde o vínculo persiste para além da palavra. Para além do que é visível, o cuidado envolve também dimensões mais subtis, feitas de limites, tensões e adaptações constantes. Há uma carga emocional e física que se acumula no quotidiano , muitas vezes difícil de nomear, mas presente na forma como o tempo, o espaço e a própria vida se reorganizam em torno de quem cuida. P ortugal é um país que cuida dentro de casa. Este é um projeto fotográfico sobre cuidadores. É um testemunho de proximidade, tempo e compromisso, onde o extraordinário se revela na repetição do quotidiano — uma filosofia partilhada por todos e em que a devoção se manifesta no ato de cuidar. O ensaio foi desenvolvido durante um período de cinco meses com visitas recorrentes no âmbito da Masterclass NARRATIVA , uma iniciativa anual que reúne autores portugueses para a criação de projectos fotográficos sobre temas contemporâneos ⬤ VOLTAR AO INÍCIO CRÉDITOS Fotos Cátia Valente (Masterclass NARRATIVA ) Webdesign Tiago Pereira Santos Web Development João Melancia Coordenação João Carlos Santos e Marta Gonçalves Direção João Vieira Pereira Expresso 2026 Top Built with Shorthand

Publicação do ensaio fotográfico «Por Cuidar» sobre cuidadoras informais

Cátia Valente apresentou o ensaio fotográfico «Por Cuidar», centrado em quatro cuidadoras informais: Cidália, Maria de Lourdes, Celina e Etelvina. O projecto foi desenvolvido ao longo de cinco meses, com visitas recorrentes, no âmbito da Masterclass NARRATIVA.

Portugal Vila de Rei O ensaio foi desenvolvido durante um período de cinco meses com visitas recorrentes no âmbito da Masterclass NARRATIVA

Aprovação do Estatuto do Cuidador Informal

O texto recorda que o Estatuto do Cuidador Informal foi aprovado em 2019, reconhecendo legalmente o papel dos cuidadores informais. O estatuto distingue entre cuidador informal principal e não principal e prevê direitos como descanso, formação e, em alguns casos, subsídios de apoio.

Portugal Vila de Rei O ensaio foi desenvolvido durante um período de cinco meses com visitas recorrentes no âmbito da Masterclass NARRATIVA

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